Estudo, Trabalho ou Crio uma Startup?

Ultimamente tenho entrado em algumas discussões sobre carreira profissional e acadêmica, já escutei diversas opiniões sobre os melhores caminhos para um estudante ou profissional em computação, gente que cursou uma graduação por 4, 5 anos e depois fala que título de mestre ou doutor numa área não significa nada, outros que largaram a faculdade para empreender (e depois explico porque coloquei essa palavra em itálico), e ainda escutei os mais tradicionais que defendem a busca por um bom emprego em uma boa empresa ou concurso como o melhor caminho.

Como muitos na área de computação, já participei de pesquisa, estagiei, fiz freela, trabalhei como celetista, e já tive todas as opiniões sobre o melhor a fazer para obter sucesso na carreira. A verdade é que todas estas opiniões estão certas e erradas ao mesmo tempo.

Estudo e Títulos Acadêmicos
Os nomes mais populares da computação mundial (lê-se Bill Gates, Mark Zuckerberg e Steve Jobs, por exemplo) até ingressaram na faculdade, mas não chegaram a concluí-la devido à opção de empreender. Estes nomes mostraram que cursar ou não cursar uma faculdade não é garantia de sucesso ou fracasso para ninguém, mas isso não quer dizer que eles não estudaram. Existe um buraco enorme entre fazer uma faculdade e estudar, buscar conhecimento sobre uma área da computação que seja interessante para o perfil de quem busca. 

A visão errada que a faculdade dá à muitas pessoas é, geralmente, reflexo de estudantes que estão na faculdade apenas para ganhar o diploma. E isso também se estende à Pós-Graduação em computação. Apesar disso, o fato é que estar em um ambiente acadêmico possibilita um aprendizado e troca de conhecimento muito grande, e isso não pode ser desconsiderado. Vale lembrar que essa possibilidade só será aproveitada caso ocorra a busca real por este aprendizado.

A academia permite muitas possibilidades, uma delas é a oportunidade de trabalhar diretamente com inovação. Desenvolver tecnologias que só serão utilizadas num futuro breve pode ser gratificante e também um diferencial competitivo.

Trabalhar para uma empresa
A palavra trabalho vem do latim, tripalium, um instrumento de tortura com três (tri) pedaços de madeira (palum), mas ultimamente o trabalho vem ganhando um significado mais nobre. É comum ver pessoas trocando de empresa, mesmo ganhando menos, visando um trabalho que seja mais gratificante.

Apesar de ainda ser o caminho mais seguido na área de computação, hoje percebe-se que os egressos de faculdades e os autodidatas avaliam melhor o local em que irão trabalhar. Neste caminho é preciso lembrar que existem diferenças, por exemplo, entre trabalhar para uma grande corporação e ser contratado por aquela startup menos engessada. Antes de ignorar este caminho na carreira, é recomendável conhecê-lo, assim como na academia, grande parte do network de um profissional de computação é construído durante o contrato de trabalho em determinada empresa.

Empreender
Apesar de saber que, no sentido real da palavra, empreender se aplica aos outros dois caminhos, hoje vemos esta ação muito ligada à criação de startups. O ato de empreender muitas vezes é difícil, mas para aqueles que tem uma boa ideia ou um bom produto, é um ótimo meio de desenvolver habilidades, além de permitir realizar projetos de maior impacto, e, consequentemente, maior retorno (seja este financeiro ou não, dependendo da finalidade da startup).

Um ponto comum entre estes caminhos é a dedicação, nenhum deles é mais ou menos fácil que outro. A dedicação e o foco fazem a diferença para obter o sucesso em qualquer situação. Por isso coloquei a palavra empreender em itálico no primeiro parágrafo. Muitas vezes o estudante ou profissional de computação pensa que empreender é só desenvolver um bom app que será o novo Mark Zuckerberg. Esta é claramente uma ideia equivocada. Devido a isso que o ato de empreender requer o desenvolvimento de habilidades cruciais para o sucesso do empreendedor.

Outra característica clara da computação, e que está presente em qualquer segmento de atuação, é a necessidade de estar sempre estudando, se atualizando: seja para desenvolver uma pesquisa, resolver problemas da empresa, ou estar preparado para as novidades e riscos que podem resultar em ganhos ou perdas para uma startup.

Independente do caminho escolhido, o foco nos objetivos e a vontade de se tornar um ótimo pesquisador, profissional ou dono de uma startup de sucesso, são a chave para alcançar o êxito numa área tão competitiva e rápida como a computação. O mercado é promissor e necessita de profissionais capacitados há décadas, o incentivo à pesquisa e aos projetos realizados em universidades vem aumentando, assim como o apoio dado ao desenvolvimento de startups. Até para quem caiu de paraquedas na computação, o momento atual é empolgante.

Felipe Alencar

Felipe Alencar é doutorando em Ciência da Computação na UFPE, professor, desenvolvedor e acredita que só não virou jogador de futebol, surfista ou músico profissional por falta de tempo e talento.

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